Tapeçaria de Bayeux chega ao Reino Unido pela primeira vez em 900 anos

Tapeçaria de Bayeux chega ao Reino Unido pela primeira vez em 900 anos

Emmanuel Macron anunciou hoje a viagem histórica de uma tapeçaria de França para o Reino Unido. A tapeçaria de Bayeux, uma obra medieval, está no museu britânico de Londres onde vai ficar em exposição durante um ano.

RTP / Adicionar como fonte informativa

Empréstimo histórico A Tapeçaria de Bayeux chegou ao Museu Britânico, em Londres, na madrugada de quinta para sexta-feira, onde estará em exposição durante um ano, após uma transferência histórica sob um forte esquema de segurança para esta frágil obra do século XI.

"Este é um momento único, resultado de muito trabalho e de um planeamento meticuloso", disse o diretor do museu, Nicholas Cullinan, à AFP depois de receber a tapeçaria durante a madrugada. Estará em exibição de 10 de setembro de 2026 a 11 de julho de 2027.
Rita Colaço - RTP Antena 1
São esperados cerca de 7,5 milhões de visitantes que admirem a obra durante este período, segundo o presidente do Museu Britânico, George Osborne, que afirmou no site do museu que este será "o maior ano da história do museu".

Com 68,3 metros de comprimento e composta por nove painéis de linho unidos, será exibida na horizontal pela primeira vez, em vez de montada na parede como costuma ser no seu local original na Normandia.

Os primeiros bilhetes para a exposição em Londres esgotaram assim que foram colocados à venda, no início de julho.

Atapeçaria bordada a lã sobre linho, com quase 70 metros de comprimento, retratando a conquista da Inglaterra por Guilherme, o Conquistador, em 1066, deixou a sua casa em Bayeux, no oeste de França, na noite de quinta-feira.

Para esta transferência, cuja data foi mantida em segredo, a obra viajou numa caixa dupla especialmente concebida para reduzir as vibrações durante o transporte por camião até ao Reino Unido, sob escolta policial.

Este empréstimo sem precedentes foi anunciado em julho de 2025 pelo presidente francês para "revitalizar a relação cultural" com o Reino Unido, dez anos após o Brexit.

"Vamos continuar a construir o futuro deste elo entre os dois lados do Canal da Mancha, esta Entente Cordiale que se tornou uma Entente amigável", escreveu Emmanuel Macron num artigo de opinião publicado no The Times na sexta-feira.

Salientando que a tapeçaria é uma obra inacabada, afirmou que "cabe-nos a nós escrever o próximo capítulo, num espírito de respeito, confiança e parceria renovada".

Esta transferência, totalmente financiada pelo Reino Unido por um valor não divulgado, causou preocupação entre alguns especialistas e defensores do património em França, que temem danos irreversíveis numa obra já fragilizada por 30 rasgões não reparados e quase 10 mil buracos.

No final de 2021, um estudo realizado por especialistas em restauro alertou para os "riscos adicionais" que uma viagem de mais de uma hora representaria para este delicado bordado rendado.

Delphine Christophe, diretora de património e arquitetura do Ministério francês da Cultura, que seguia no comboio atrás do camião que transportava a tapeçaria, garantiu que o transporte "decorreu sem problemas".

"Estamos totalmente confiantes de que a tapeçaria viajou nas melhores condições de conservação possíveis", afirmou após a sua chegada.

Para superar este desafio logístico, foram necessários vários estudos técnicos, tendo sido realizadas duas viagens de teste com uma réplica em tamanho real da tapeçaria.


Segundo os criadores, a caixa dupla em que a obra de arte foi colocada reduz as vibrações relacionadas com o transporte — um dos principais riscos — em 96% e mantém-na a uma temperatura de 20°C e a um nível de humidade de 50%.A obra permanecerá nesta caixa durante “alguns dias para se aclimatar” antes de ser desembalada e colocada sob vidro.

"Ver a Tapeçaria de Bayeux chegar ao Reino Unido pela primeira vez, a partir de França pela primeira vez, é um momento muito emocionante", comentou a embaixadora francesa em Londres, Hélène Duchêne, que esteve presente no Museu Britânico.

Em setembro, foi necessária uma operação muito delicada para retirar a Tapeçaria de Bayeux do museu, de onde não saía desde 1983 e que estava fechado para obras.

Um empréstimo para Londres já tinha sido considerado duas vezes antes, sem sucesso: em 1953, para a coroação da Rainha Isabel II, e em 1966, para o 900.º aniversário da Batalha de Hastings.


Como sinal do valor único da peça, o Reino Unido prometeu pagar 800 milhões de libras (aproximadamente 917,9 milhões de euros) em caso de danos graves na tapeçaria.

O Reino Unido aceitou ainda emprestar à França peças do Tesouro de Sutton Hoo — mobiliário funerário de um chefe saxão do século VII — e desenhos renascentistas, que serão expostos no oeste de França.Após o seu regresso a França em 2027, prevê-se que a tapeçaria seja devolvida ao seu local de origem, o Museu de Bayeux, antes de sofrer um delicado restauro, há muito planeado e repetidamente adiado.

Segundo as autoridades, o restauro deverá começar em 2028 e poderá ocorrer no interior do museu e na presença do público para evitar outra remoção da tapeçaria.

c/agências


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